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Reflexões éticas

28/02/2012

Mais uma vez fui desafiada esse semestre em lecionar uma disciplina bem difícil, ética empresarial.

Apesar de encarar o desafio com vontade, depois de ler, refletir e conversar com alguns colegas, ainda não me sinto confortável em falar do assunto. Conforto de fato, quando se trata de ética parece ser algo longe de acontecer. Agora mesmo durante o almoço desde imagens de uma briga que acabou em esfaqueamento, violência contra a policia em Porto Alegre (protesto contra aumento de passagens), até confronto entre manifestantes e a polícia ingles ocuparam a minha tv durante a mastigação. Antes de comer, lia um post twitado por ‏ @BlogdoMiro sobre a Yoani Sánchez, aquela ativista Cubana que fez sucesso há pouco aqui no Brasil. Lembro que até a Dilma tinha sido pressionada a encontrá-la dia desses numa visita a Cuba. Difícil lidar com tanta coisa e achar que são situações normais…

Numa outra reportagem sobre o aumento de sequestros relâmpagos em Brasília fiquei pensando, será esse um movimento organizado? Me explico de que tipo de organização estou pensando. Sabe quando acontece um desaquecimento na economia e é preciso pensar em maneiras de retomá-la. Um empresário pensa em fazer um investimento: aumento do medo. Daí como a ordem é executada, pouco importa. Vá lá saber..

A ética nos serve para problematizarmos as diversas morais que fundamentam e permeiam as nossas ações. Quero acreditar que a consciência é fato suficiente para aprimorar as nossas ações. Mas cada vez, coisas como essas me fazem pensar nas concepções éticas pós cristianismo. A ética como dever de fazer o bem. Talvez Kant tivesse razão.

Ainda não me acalentam as palavras de Zigmunt Bauman sobre a obtenção de mais moralidade como condição necessária para nova percepção sobre a ética na pós-modernidade.

Mas então, como debater mais moralidade em meio a tantas situações assim?

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“Se vira pó só”

27/06/2011

seu suor

vira sapato, mesa de centro

ou não vira nada

vale nada

vira vento

A todo momento a gente vira pó

Se vira pó só.

solidifica e vira pó

(Música de Karina Burh)

Certa noite numa discussão acalourada acabei chegando a conclusão, com certa ajuda é claro, de que eu, simplesmente, tenho me ignorado.

Sim, me ignorado como gente, como pessoa (como diria Charles Gambers).

O senso de humor foi embora.

A vontade de escolha foi embora.

A confiança, por falta de companhia também ‘pegou o beco’.

Daí o que restou?

A tristeza. Ela tomou conta e se fez dona desse corpo, única moradora do que era uma mansão plena de espaços criativos. Passou a encher de poeira os espaços e deixar as coisas de lado, desorganizadas. Nem lar já se via mais ali. Parece um espaço largado de lado com antigas lembranças esquecidas no meio do pó.

Há de encontrar uma faxineira para essa casa!

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Já é carnaval… e quem é você?

28/02/2011

Pois é. Escrevi a quase 80 dias sobre o carnaval de 2011 e cá ele batendo a porta. A dissertação foi prorrogada para abril e já me tirou o restante do juízo que possuí um dia.

Como todos costumam dizer…você tem tudo nas mãos e basta escrever.

Em meio a esses pensamentos venho perdendo bons posts para serem colocados aqui…tenho pensado qual o futuro do blog. Afinal, já voltei do RS e não tenho planos de ir para lá passar tanto tempo agora. Novas possibilidades surgiram no meio da jornada e nem sei se quero voar para o doutorado…afinal, ainda nem acabei a dissertação.

Pois é. Qual seria então o motivo de manter um blog? Antes era para contar minha história num lugar diferente e agora é para contar diferente a minha história no mesmo lugar?

Se escrevo para mim…mas uma vez apenas eu sei a resposta.

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84 dias restantes…a defesa é antes!

10/12/2010

Para os foliões de plantão, hoje faltam exatamente 84 dias para início do carnaval. Para aqueles que, como eu, tem uma dissertação para finalizar até fevereiro, siginifica dizer que falta menos tempo ainda para terminar o trabalho. A constatação é vem a calhar para o desespero bater.

Como alguém já deve ter lido em um post perdido por aí, a minha coleta de dados foi um tanto contínua e bem confusa (talvez só com a defesa entenda o que aconteceu em minha vida nesses últimos meses). Mas os dados estão lá. Tenho aproximadamente uns 4 caderninhos de campo, umas 12 horas de conversas gravadas e muito material institucional. Esses são os dados que preciso analisar. Optei em montar narrativas para contar essa longa história junto aos pontos de Cultura de PE.  Estou falando de 3 deles que me chamaram atenção: Estrela de Ouro, Coco de Umbigada e Cinema de Animação. Gostaria que esse universo fosse ampliado…mas não tenho gás para tal empreendimento.

Até aí em meu relato, tudo vai bem…tirando as intermináveis transcrições que estão me ocupando nas 2 últimas semanas, duas pulgas estão fazendo meu pequeno juízo sair do eixo: Relevância do trabalho para a realidade e a minha contribuição teórica.

A primeira só com a finalização dos dados posso responder, então convivo.

Mas a outra cada vez me confunde de como irei analisar meus achados e discutir o estudo de processos organizativos ao invés das estruturas das organizações.

Só desabafo mesmo….

Saudades de escrever mais.

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O perigo de uma única história: Chimamanda Adichie

14/06/2010

A importancia de contar uma história.

A importancia de contar uma história é sair de esteriótipos e descobrir as diversas existencias a partir da visão de todos os envolvidos. Mas esta história é conhecida por muitos. Foucault já fez o exercício de buscar entender o conhecimento a partir daqueles que contam a sua história e as implicações da voz unívoca.

O vídeo que segue mandado por Gabriela Apolonio no Grupo da Rede.PE é um bom exemplo, de extrema inspiração para os diversos escritores (sejam acadêmicos, literários, etc).

Sobre o vídeo:

Nossas vidas, nossas culturas, são compostos de muitas histórias que se sobrepõem. Chimamanda Adichie romancista conta a história de como ela encontrou sua autêntica voz  cultural – e adverte que, se só ouvimos umaúnica história  sobre uma outra pessoa ou país, corremos o risco de uma crítica mal-entendida.

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A escrita como construção da pesquisa

27/05/2010

Retirado do baú tecnológico (pen drive), este texto escrito em dezembro de 2009 para disciplina de Pesquisa Qualitativa que cursei na UFRGS. Compartilho com vocês.

A escrita como construção da pesquisa

O ambiente claro e vazio onde posso imaginar qualquer coisa e qualquer projeto na minha mente, olhando paredes brancas que precisam ser marcadas com histórias escritas. Sinto isso, como se estivesse nas páginas da tela do computador, tomada pelo fundo branco do editor de texto. Basta que eu me concentre e diversas imagens, palavras e sons, surgem em minha mente e aparecem como flashes no espaço branco. Tenho o poder de marcar esse espaço. Mas isso não ocorre tão facilmente, são diversos os desafios que me aparecem.  Essa é minha sensação de escrita do trabalho acadêmico.

O produto deste trabalho pode ser visto por outros e lidos. Os olhos treinados de alguns percebem os erros nas regras da montagem que para mim passa despercebido no calor da construção do texto. Penso a cena, escrevo as linhas. Pela linguagem tento traduzir esse pensamento. O sentimento é o de querer sair daquele lugar. Quase uma camisa de força que me prende enquanto eu não dou significado às paredes brancas. E preciso dar sentido e para isso respeitar regras, não falo dos centímetros das páginas 2 , 2,5, 3, …, mas da natureza do conhecimento construído nas hipóteses, insights estruturais e históricos, nas reconstruções individuais ou na subjetividade crítica do conhecimento vivido.

O preenchimento das páginas depende de todo o trabalho pregresso. E mesmo a adoção de paradigmas mais críticos ou/e participativos, em sua representação textual, se limita a linguagem escrita. A linguagem que adoto para expressar os significados, que produzo e reproduzo discursos, de forma consciente ou inconsciente.

A escrita como gênero de pesquisa é limitada na sua descrição. Por essa razão, como pesquisador que quer aproximação com a realidade não posso adotar apenas uma forma de representação do que tomo por significação do real. Com ajuda de Richardson (2005) procuro compreender a escrita como método de estudo resultante do desenvolvimento da ética engajada da ação social e da mudança.

Como Barthes (2004, p. 9) toda enunciação, todo processo de escrita, supõe seu próprio sujeito, e por isso, é resultado de uma construção em determinado contexto.  Sinto que não posso ignorar que as imagens projetadas são reflexos de mim mesma. A minha experiência frente ao contato com a realidade. Não posso ignorar que é a minha voz que fala e constrói os discursos do meu trabalho acadêmico.

As metáforas impossíveis do texto acadêmico. A poesia ou a forma de realismo do absurdo que nos leve a pensar coisas impensadas e assim, possamos construir diálogos, antes dificultados pela separação entre literatura e ciência (BARTHES, 2004, p.4; RICHARDSON, 2005, p.960), entre a prática e a teoria. A Literatura auxilia a projeção da mente além da página branca dos arquivos do software para construção de textos. A metáfora ajuda a percebermos as sensações muitas vezes ausentes no texto acadêmico e dá mais validade para os dados apresentados. Nem sempre conseguimos construir texto que dialoguem dessa forma. Mas o texto pode começar pela simples construção do diário de campo e a tentativa de representar sensações e criar maneiras diversas de apresentação do trabalho acadêmico.

É preciso dar voz aos outros sujeitos que se fazem presentes nos momentos pregressos ao encontro com a página em branco. Dar voz aqueles que fizeram a pesquisa possível e pensar a minha onipresença e onipotência como produtora do texto.  Entender como o ‘outro’ representado pode se sentir nesta representação e lembrar que a interação estabelecida no processo qualitativo de pesquisa social é único, resultado do encontro d pesquisador com o pesquisado no seu contexto.

Não sou escritora, cronista, poeta, meu desempenho não é de artista. Sou alguém em formação. Alguém que antes de colocar significar um trabalho acadêmico busca os significados da escrita, que encontra por alguns instantes um ponto de em que toda a linguagem do alfabeto de símbolos cujo exercício pressupõe um passado que os interlocutores compartem (BORGES, 1999, p. 93). A escrita que preencherá os espaços brancos do editor de texto, sob o cristal da percepção podem enriquecem a visão da realidade construída no trabalho acadêmico.

Referências

BARTHES, R. O Rumor da Língua. São Paulo, Martins Fontes, 2004.

BORGES, Jorge Luis. O aleph. Porto Alegre: Globo, 2001.

RICHARDSON, Laurel; St. PIERRE, Elizabeth A. Writing: a method of inquiry. In: DENZIN, Norman K.; LINCOLN, Yvonna S.  (Eds.) The Sage Handbook of Qualitative Research: Third Edition.  London: Sage, 2005. p.959-978

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Trabalho de Sísifo?

08/03/2010

Por toda a eternidade Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível. Por esse motivo, a tarefa que envolve esforços inúteis passou a ser chamada “Trabalho de Sísifo”

Desde o último post, muita coisa ocorreu. Não só a Teia PE 2010, mas uma diversidade de entrevistas feitas pensando na avaliação do Programa Cultura Viva, na busca de dar ‘voz’ ao Pontos de Cultura. Em meio aos tweets quase a cada segundo de informações sobre as políticas culturais, imagino qual o meu papel em toda essa história.

Há pouco estava ouvindo um professor comentar sobre determinação e objetivo no mestrado. Me lembrou o email que recebi hoje de uma amiga do RS sobre a disciplina necessária para os últimos instantes do projeto. Como dar conta disso e ainda tentar sobreviver. Seria mais fácil ter feito mestrado em Sociologia e garantir bolsa nos 24 meses de curso?

Minha escolha foi pela gestão, pela administração. De olhar de forma diferente para um local tão massacradamente reificado pelo pensamento racional instrumental. Outro dia comentando com amigo, estava tentando me situar nesse universo e enteder as políticas públicas além da noção do gerencilismo excessivo que permeia nossa área. A dificuldade de pensar fora do quadrado, do trabalho de Sísifo… eternamente condenados dentro da administração.

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Simples assim..

04/02/2010

Não é propaganda da oi. Só queria acreditar na frase mesmo e fazer ou desinterrar alguma idéia perdida em minha cabeça com uma pergunta de pesquisa viável. Onde eu errei? Deveria ter feito Edificações no CEFET? Entrado em Hotelaria na UFPE?

Estou num daqueles momentos desesperado da vida onde você fica pensando qual foi a escolha errada que eu fiz (ou pensando ‘e se..’. Escolha me refiro a Acadêmica. Por que simplesmente os erros não me fizeram aprender a ser menos insistente e mais prática. Tenho uma mania/personalidade/jeito defeito nas coisas, obviedade no trabalho dos outros, no entanto, nem consigo escrever

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o peso da consciência…

24/01/2010

Cada vez mais tentando me aproximar do ‘objeto’ de estudo, parece que estou mais longe. Nem as conversas com doutorandas desta semana me trouxeram insparação ou novas idéias. Desconfio que cada vez mais devo estar menos consciente do que me propuz anteiormente a fazer. Pareço estar andando em círculos em busca de alguma coisa que nem sei o que é.

Ontem, numa parada para um programa em família, assistir ‘invictus‘. O filme trata da influência de Nelson Mandela após sua recente eleição presidencial na campanha do time de Rúgbi Sul Africano para a conquista da Copa Mundial da modalidade. Matt Damon e Mongan Freeman são os protagonistas.  Após o término do filme fiquei pensando na determinação e no poder de concentração de Mandela. Juntando com um comentário que escutei de um amigo essa semana (sobre ficar encarcerado durante dois anos só para ler todos os livros que gostaria) fiquei pensando como seria mais interessante se eu me obrigasse à isso.

Pois é. Na frente do PC é que encontro a liberdade do pesquisador e a prisão do estudo. Preciso escrever e retirar as coisas fugidas da minha cabeça.

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Desafio de retomada do trabalho… (1)

11/01/2010

Hoje estou com novo desafio. Fazer a atualização permanente do Blog do Pontão de Gestão.

O Blog é resultado da ação de Gestão do Projeto Rede de Integração e Acompanhamento dos Pontos de Cultura de Pernambuco, uma ação do MinC em conjunto com a PROEXT. A ‘ação de Gestão’ é uma das três áreas do Projeto que teve duração de aproximadamente três anos. Visitem que tem coisas bem legais no blog.

Minha participação no Projeto acabou resultando no meu trabalho de conclusão de curso na Graduação em Administração em 2008.1: Compartilhamento de conhecimentos entre universidade e sociedade: a relação da ação de gestão do Pontão-UFPE nos Pontos de Cultura de Pernambuco.

Como estou acompanhando os encontros dos Pontos será um prazer utilizar o espaço para divulgar o que anda acontecendo em Pernambuco no processo de construção do Sistema Nacional de Cultura.

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