Mais uma vez fui desafiada esse semestre em lecionar uma disciplina bem difícil, ética empresarial.
Apesar de encarar o desafio com vontade, depois de ler, refletir e conversar com alguns colegas, ainda não me sinto confortável em falar do assunto. Conforto de fato, quando se trata de ética parece ser algo longe de acontecer. Agora mesmo durante o almoço desde imagens de uma briga que acabou em esfaqueamento, violência contra a policia em Porto Alegre (protesto contra aumento de passagens), até confronto entre manifestantes e a polícia ingles ocuparam a minha tv durante a mastigação. Antes de comer, lia um post twitado por @BlogdoMiro sobre a Yoani Sánchez, aquela ativista Cubana que fez sucesso há pouco aqui no Brasil. Lembro que até a Dilma tinha sido pressionada a encontrá-la dia desses numa visita a Cuba. Difícil lidar com tanta coisa e achar que são situações normais…
Numa outra reportagem sobre o aumento de sequestros relâmpagos em Brasília fiquei pensando, será esse um movimento organizado? Me explico de que tipo de organização estou pensando. Sabe quando acontece um desaquecimento na economia e é preciso pensar em maneiras de retomá-la. Um empresário pensa em fazer um investimento: aumento do medo. Daí como a ordem é executada, pouco importa. Vá lá saber..
A ética nos serve para problematizarmos as diversas morais que fundamentam e permeiam as nossas ações. Quero acreditar que a consciência é fato suficiente para aprimorar as nossas ações. Mas cada vez, coisas como essas me fazem pensar nas concepções éticas pós cristianismo. A ética como dever de fazer o bem. Talvez Kant tivesse razão.
Ainda não me acalentam as palavras de Zigmunt Bauman sobre a obtenção de mais moralidade como condição necessária para nova percepção sobre a ética na pós-modernidade.
Mas então, como debater mais moralidade em meio a tantas situações assim?



