
Tá aí. Eu achava que já tinha. Mas já tinha o que?
Aprendi por aqui uma coisa interessante que citei anteriormente. Deixar o problema emergir em contato com o campo. Na pesquisa ‘engajada’ funcionaria assim. Não é o pesquisador que diz que ele existe. Para isso, fora o contato do campo, a gente precisa ter leitura. Por mais que pareça contraditório e difícil de entender como essas coisas acontecem ao mesmo tempo assim, tudo sempre na mesma hora de uma vez, acontecendo meio sem perceber ..a gente vai, e vai, e pensa, e faz, lê, escreve …ufa e: Pronto! Como diriam os gaúchos: Bah!
Estou deparada com dois problemas atuais: um tema específico para meu projeto de dissertação e um para a disciplina seminário de pesquisa. Como o quesito urgência nos obriga trabalhar em cima daquilo que é sempre para ontem, meu interesse está em no segundo. Então vamos lá trocar algumas idéias para pensar junto com o blog e escrever alguma coisa interessante sobre.
O projeto de pesquisa tem por objeto, até então, a feira do livro de Porto Alegre. Não sei se vocês sabem mas é uma das mais tradicionais do país. Acontece a 54 anos. Este ano terá a 55ª edição. Em todos esses anos a feira sofreu modificações, mas sempre manteve o mesmo lugar (logicamente foi ampliada) mas continua acontecendo na praça da alfândega no centro da cidade. No longo de sua história ganhou toldos (solução para a chuva de outubro), ganhou outras atividades e sofreu modificações de horários. Mas no geral é um evento super tradicional aqui do Sul. Mas até aí o que poderíamos ver como objeto de estudo? A organização em si é feita pela Câmara Rio-Grandense do Livro que me parece uma organização bem estruturada e sem grandes questões para ser estudada. Associados e participando da feira, existem por volta de 160 barraquinhas que se dividem em livreiros, associados, apoiadores, creditistas e editores. Mas daí também nada de novo. Então da onde saí um problema? De acordo com a orientação dada ao grupo até então o problema está não está no passado da feira, nem em seu presente, mas sim no futuro. Tanto da feira quanto do livro.
Do objeto, o livro, é muito mais óbvio montar uma discussão. Eu mesmo me pergunto até quando minha relação com o livro vai ser amigável. Acho que nos últimos anos mesmo isso mudou bastante. Antes de ter PC ou laptop adorava estar em bibliotecas, para mim, era um ato de descoberta. Não gosto das livrarias. Não gosto do tratamento especial que se dá aos livros. No sentido da disposição deles na prateleira e nos mostruários. As bibliotecas tem um lógica que não determina que o Paulo Coelho deve estar disposto numa mesinha enquanto o escritor da esquina fica lá no cantinho largado. Bom, mas a relação estabelecida assim, mais democraticamente, a escolha do leitor, é uma coisa que não acontece com a maioria das pessoas. Mesmo comigo, só depois que comecei a freqüentar a biblioteca da UNICAP na adolescência no tempo de antes do vestibular é que soube quantos livros poderiam existir no mundo.
Meu pai sempre gostou e nos estimulou a ler, meus avôs também. Ainda sim, não éramos uma família que tínhamos muitos livros em casa, infelizmente. Mas tínhamos muitas National Geographic, Náutica, Revista Saúde e a assinatura da veja. Ao ir para casa de minhas tias nas férias, lia as historinhas infantis do chapeuzinho vermelho, branca de neve, 3 porquinhos, livro do “fantasia” da Disney e esse era meu contato com livros. Queria tê-los. Hoje posso dizer que tenho até um acervo interessante. Mas a maioria das obras que possuo, baixei na internet. Esse seria um problema interessante de ser estudado: a mudança da relação com o livro por parte do leitor diante das ferramentas digitais. No entanto, a área de estudo são as organizações e tudo que as envolve. Sim, é bastante coisa, mas eu não vejo como o livro pode entrar aí.
A professora pediu então que enfocássemos na questão da relação da cidade com a feira, como já havia salientado anteriormente. Daí para mim ficou um tanto difícil entender melhor isso. Cidade-feira. Eu não sou dessa cidade. Nunca fui a uma feira do livro. Mas nas pesquisas e conversas que tivemos (eu e o grupo) acabamos tentando buscar alguma coisa que clareasse nosso entendimento sobre. Encontrei um blog de um mestrando de Arquitetura da UFRJ que está estudando eventos nos espaços urbanos. Achei bem legal. Estou tentando até então dialogar um pouco com as coisas abordadas por ele.
tema que escolhi para desenvolver no meu projeto de dissertação são os espaços públicos da cidade onde ocorrem os eventos de entretenimento de cunho cultural/artístico e a relação que estabelecem com a cidade como local de encontros culturais.
Pimba! Mas preciso pensar melhor sobre isso. Sobre como posso dialogar com a idéia e trazer para a Disciplina de Seminário de Pesquisa em Organizações essa discussão.
Tentando responder a pergunta do post. O problema surge da relação do pesquisador, seja com o campo, seja com o referencial teórico. A proposta da disciplina era que a pergunta surgisse no campo, dessa maneira, estaria mais de acordo com paradigmas não positivistas. No entanto, os prazos fazem a gente, muitas vezes, colocar os pés pelas mãos.