
Poema do Carpenter "Garota encrevendo uma carta" - Ekphrastic
Não dá para acreditar que faz dez dias que escrevi o último post. Muitos acontecimentos e muitas coisas para raciocinar sobre, homengem de mainha, notícia boa de REcife, políticas públicas, feira do livro, gestão cultural e a ETNOGRAFIA.
Sobre esta útima é preciso me arriscar para escrever algumas coisas. Afinal, ela me consumiu e agora eu desconstruída estou juntando alguns pedaços para refazer esse ‘eu’ sem identidade.
Para aqueles que não sabem (Leiam o texto que tá no livro da GODOI) a etnografia é mais do que um método de pesquisa, mais do que uma forma de coleta de dados. É uma forma de pesquisa, de escrita e é um método que conecta autobiografia e o individual com a cultura e o social(JONES apud ELLIS, 2004). Ou seja um caminho interessante para se trilhar uma pesquisa. Mas um dos mais difíceis.
Muitos, como eu antes mesmo de fazer este trabalho associavam a etnografia com estudos antrooplógicos, só e somente. A coisa é bem mais ampla. Nas nossas leituras e mesmo em aula, concordamos que as formas como os viajantes colonizadores escreviam seus relatos das populações nativas achadas era uma ‘pré-história’ dos estudos etnográficos.
De acordo com a TEDLOCK (2003) a origem da etnografia como escrita acadêmica remete a algumas publicações (planfletos, cartilhas) publicadas no fim do século XIX na Inglaterra para que os viajantes da época pudessem relatar suas ‘aventuras’ de forma mais sistematica e organizada. Sim, esses dados seriam analisados para fins não tão nobres. (Ponto de vista do colonizador sobre o colonizado).
Podemos assim dividir mais ou menos (não cientificamente) os estudos etnográficos: uma fase tradicional associada a viagem a outro mundo e do mito do pesquisador como o herói. A fase modernista que se volta para próprias sociedades (cita-se que a escola de chicago voltou sua atenção aos estudos dos guetos). O terceiro tempo seria do ‘blurre Genre’ com a adoção de novas técnicas para coleta de dados (1970-1986). A crise da represntação (questionamento sobre a validade das notas de campo, consistencia, parcialidade do pesquisador – 1970-86) e por último a fase do desafio moderno de 1986 até os dias de hoje.
Combinados desenhos de pesquisa, trabalhos de campo, investigação para produção de descrição, interpretação e narrativas humanas. É tanto proecesso quanto o seu produto.
Como técnicas, um etnografo pode fazer uso da entrevista em profundidade e da observação (participante, reativa e não-obtrusiva).
O carinha vai em determinada sociedade/comunidade se insere no campo para a partir do seu ponto de vista ser objeto se sua pesquisa…daí se seguem muitas variações.
Uma delas tem me destruído e reconstruído nos útlimos dias: a autoetnografia. Ou a ‘etnografia de verdade’ como chamou a professora. Para que vocês entendam contarei a história da história.
Definição por Jones(2005):
“Definição de uma cena, contando uma história, tecendo conexões entre vida e arte, experiência e teoria, evocação e explicação (esclarecimento)…em seguida, deixa seguir, esperando por leitores que trarão a mesma atenção cuidadosa com as nossas palavras nos conteúdos das suas próprias vidas”
“Fazer um texto presente. Demandando atenção e participação. Implicando todos envolvidos. Recusando encerramento e categorização”
O trabalho etnográfico exige o engajamento do pesquisador. Exige que ele atravpes de sua história olhe as intersecções no seu trabalho e nas suas histórias individuais, buscando maneiras de contextualizar os textos e a subejtividade. Incorporar a comunidade. Levar as pessoas a entenderem o mundo e sua opressões .
E a tal auto- etno (o self do self) leva o pesquisador a criara trabalhos que atuem através, no mundo e sobre o mundo. Ela desloca nosso foco das represntações para apresentação. A Jones propõe que isso seja feito através do desempenho. (ou performance como queriam entender os seguidores de Carmem Miranda).
O texto acadêmico escrito na ‘biblía’ de pesquisa qualitativa para os estudos organizacionais como a autora diz, não deve ser lido sozinho. Bom daí entra toda a minha história.
Eu estaria vivendo e interagindo com a minha própria realidade?
Seria preciso fazer um inventário de mim para descobrir o refazer como pesquisadora.
Pontuações desta semana:
Qual a tua pergunta de pesquisa?
O que que a Ceci quer com os textos?
Deixar que teus condicionamentos atuem na tua vida ou contextualizar a tua realidade?
Mas afinal, quem pe você? Cézane, Ulisses de Joyce, Moli de Clarice, Matieu de Sartre, Sabina de Kundera, Luiz Gonzaga, Clarice na infancia, Valéria, V, a praia, o pôr sol, um sorriso…não sei.
Quem é raquel em contato com a pesquisa. O campo está me construíndo e ainda não se mostrou para mim. Talvez, minhas epistemologias e ontologias estejam divergentes. Talvez elas ainda não se mostraram para mim. Mas preciso descobrir. Afinal não seria uma pesquisadora.
É preciso encontrar a respiração das palavras num retrato mudo. A ekphrastic.
Para entender melhor:
Implicações e como fazer:
FOLEY, Douglas; VALENZUELA, Angela. Critical ethnography: the politics of collaboration. In: DENZIN, Norman K.; LINCOLN, Yvonna S. (Eds.) The Sage Handbook of Qualitative Research: Third Edition. London: Sage, 2005. p.217-234
MADISON, D. Soyini. Critical ethnography: method, ethics, and performance. London: Sage, 2005.
Auto-etnografias e etnografias online:
JONES, Stacy. Autoethnography: making the personal political. In: DENZIN, Norman K.; LINCOLN, Yvonna S. (Eds.) The Sage Handbook of Qualitative Research: Third Edition. London: Sage, 2005. p.763-792
SHERDIN, Mikael. Framed: new method and subjective grounds. Aesthesis, v.2, n.1, 2008, p.16-31, 2008.
MARKHAM, Annet N. The methods, politics and ethics of representation in online ethnography. In: DENZIN, Norman K.; LINCOLN, Yvonna S. (Eds.) The Sage Handbook of Qualitative Research: Third Edition. London: Sage, 2005. p.793-820
Para divertir:
HOLBROOK, Morris. Feline consumption: ethnography, felologies and unobstrutive participation in the life of a cat. European Journal of Marketing, v.21, n.3/4, p.214-233, 1997.